Menina e Moça

I
Quando eu era pequenina
A tudo achava graça
À borboleta voando
Ao cãozinho que passava

II
Minhas mãozinhas pequenas
Lindas coisas já moldavam
Com o barro que provinha
Da chuvinha que Deus dava

III
As histórias e contos
Eram a minha atracção
Ouvia silenciosa
E cheia de comoção

IV
Fui crescendo ja menina
Feliz eu continuava
Junto a meus pais e família
A quem eu tanto adorava

V
O tempo assim foi correndo
E em moça me tornei
As belas tranças que tinha
Um certo dias as cortei

VI
Já com as roupas da moda
E sapato com tacão
Passava toda emproada
E um bater no coração

VII
Hoje recordo com saudade
Toda minha meninice
Onde se faz com amor
Tanta asneira e tolice.

Maria do Céu

Anúncios

As Quatro Maravilhas

Saúde, Paz, Amor e Alegria
Todos nós o desejamos
Ao longo da nossa vida
E no nosso dia a dia.
São bençãos celestiais
São difíceis de alcançar
Mas vale a pena tentar
Todas são a maravilha
Que devemos abraçar.
Elas nos fazem felizes
Ajudam-nos a trabalhar
Ajudam-nos a ser justos e correctos
Aprendemos a amar
E também a ajudar.
Quem precisa encontrar
As tão belas maravilhas
As bençãos celestiais
Sintam bem a esperança
Guardem bem no coração
Alcancem as maravilhas
Que nos fazem tão felizes
Vivendo em amor e união.

Maria do Céu

Natureza

O tempo já melhorou
Há cheirinho a primavera
Brilha o sol pela manhã
Aquecendo a nossa terra

Abro a porta da cozinha
E os pardalitos cantando
Lá se vão aproximando
E esperando ansiosos
Pelo arroz que vou dando

Já com o papinho cheio
Vão-se embora esvoaçando
Parecendo agradecer-me
Com a música do seu canto

Eu contínuo dizendo
Que admiro e amo a natureza
Ela tem coisas tão simples
Que nos fazem tão felizes
Dando lugar à alegria, levando nossa tristeza

Maria do Céu

Primavera

I
Ó primavera
Como és boa para as flores
Para as crianças e jovens
Para os velhos e amores

II
És amena, doce e meiga
Dás alento e mais vigor
És formosa para o mundo
Com teu cheiro e muitas flores

III
Quando eu era primavera
Gostava de estar a teu lado
Sonhar com a felicidade
E com o meu namorado

IV
Mas o tempo vai passando
E a juventude findou
Mas para minha alegria
A primavera voltou.

Maria do Céu

O Homem do Mar

I
A minha casinha branca
Fica ali naquele rochedo
Vivo ali muito sozinho
Mas de nada tenho medo

II
A minha casinha branca
Tem janelas de madeira
Foi feita com muito amor
Para durar a vida inteira

III
Ao longo da madrugada
Oiço ondas a bater
Pertinho de minha casa
Elas vão-se desfazer

IV
Eu sou um homem do mar
Trabalho com alegria
Pesco à noite ao luar
E às vezes durante o dia

V
O meu berço é este mar
Toda esta maravilha
Vivo sempre em oração
Tenho Deus por companhia

Maria do Céu

O Meu Livro

I
Gosto tanto de escrever
Quadros, versos, poesia
Dizer tudo aquilo que sinto
Com amor e alegria

II
Com a caneta entre os dedos
No papel ela desliza
Por vezes com rapidez
Outras vezes paralisa

III
E aí eu vou sonhando
E vou pensando também
Minha alma vagueando
Pensando encontrar alguém

IV
Alguém que me compreenda
O que faço e o que digo
Por isso pensei levar
À edição este livro

V
Para todos os leitores
Comprem, leiam, vão gostar
E podem ter a certeza
Todos vós vão adorar

Maria do Céu

Sejam bem vindos à poesia

Maria do Céu da Costa Santos Simão, este é o meu nome. Nasci em Angola, numa terrinha pequena e acolhedora. A data do meu nascimento foi em 23 de Outubro de 1935. O nome da minha terra é Moçamedes, onde vivi minha infância com meus pais, dois irmãos e uma irmã. Cresci, me fiz mulher e casei com um rapaz maravilhoso. Desse casamento nasceram duas meninas lindas. Quando se deu a descolonização em Angola, tivemos de vir para Portugal, terra dos meus pais. Foi difícil a adaptação devido a várias situações, uma delas falta de dinheiro para nos sustentarmos, pois tudo quanto tínhamos lá ficou. Hoje amo a terra de meus pais, de que eles tinham tantas saudades. Tenho quatro netos muito queridos e sou feliz porque tenho uma família de ouro e os meus poemas que me ajudam a viver.

Gosto de ler, ouvir e fazer poesia.

Maria do Céu