Amigo

Sinto fome, sinto sede
Arrepios e muito medo
Deste grande labirinto
Onde eu estou metido.
Entrei, mas sair
Eu não consigo
Lamento, choro
Já me encontro perdido
Batalho, piso a neve
Piso orvalho
Pareço estar num baralho
Andando de mão em mão.
Preciso de muito amor
Preciso de protecção
Sofro, choro, corro, grito
E volto ao mesmo sítio.
É tão grande a tentação
Que já me sinto despido
Dos valores que possuía
E andavam sempre comigo.
Estendo braço, abro a mão
E me encontro pedindo
Mais amor e protecção
Ansiando, desejando
Que alguém me leve consigo
Que me ajude e me proteja
E depois possa dizer
Amigo: Seja bem vindo.

Maria do Céu

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Recordar

Já é noite e muito tarde
São horas de descansar
Fecho as portas, as janelas
E as luzes não me esqueço de apagar

Já me encontro deitada
Está frio mas sabe bem
A cabeça recostada
Na minha linda almofada
Enquanto o sono não vem

Tudo me vem a cabeça
E começo a recordar
A minha vida passada
Que tem muito que contar

Lembro a minha meninice
Que com tanta traquinice
Me faz faz rir e gargalhar
Mas noutros casos mais sérios
Começo logo a chorar

O passado já não volta
Nem pra mim nem pra ninguém
O presente é o nosso dia a dia
São as horas, os minutos e os segundos também

O futuro ninguém sabe
O que a vida nos vai dar
Nem os grandes adivinhos
Conseguem adivinhar

Pra não esquecer o passado
Só nos resta recordar
Umas vezes nos faz rir
Outras vezes faz chorar

O recordar é viver
E é bem uma verdade
Pode nos dar alegrias, tristezas
E também felicidade

Maria do Céu