Menina e Moça

I
Quando eu era pequenina
A tudo achava graça
À borboleta voando
Ao cãozinho que passava

II
Minhas mãozinhas pequenas
Lindas coisas já moldavam
Com o barro que provinha
Da chuvinha que Deus dava

III
As histórias e contos
Eram a minha atracção
Ouvia silenciosa
E cheia de comoção

IV
Fui crescendo ja menina
Feliz eu continuava
Junto a meus pais e família
A quem eu tanto adorava

V
O tempo assim foi correndo
E em moça me tornei
As belas tranças que tinha
Um certo dias as cortei

VI
Já com as roupas da moda
E sapato com tacão
Passava toda emproada
E um bater no coração

VII
Hoje recordo com saudade
Toda minha meninice
Onde se faz com amor
Tanta asneira e tolice.

Maria do Céu

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A Minha Vida Passada

Maria do Céu & Vitorino Simão

Maria do Céu & Vitorino Simão

Esta noite eu tive um sonho, sonhei que estava viajando para as terras além mar, Moçâmedes, a minha terra natal eu iria visitar.

O avião aterrou, o meu corpo balançou, tive medo, emoção, alegria e saudades, eu iria enfrentar a pura realidade.

Sonhando fui caminhando e dei a volta à cidade, passando pelos lugares em minha mente marcados desde a minha tenra idade e também na mocidade.

Vou passar a descrevê-los com amor e com saudades, começando por minha alegre casinha onde nasci e vivi com minha querida família por longos felizes anos. Nesse tempo, a vida era difícil para se ganhar dinheiro, para o nosso dia a dia, para o nosso sustento. Faltava lá tanta coisa dificultando o trabalho.

Os meus pais era novos, alegres e muito trabalhadores e pretendiam vencer as grandes dificuldades. Nossa família era unida, entre nós havia amor, compreensão, amizade e isso contribuía para ajudar as vencer as grandes dificuldades.

Sonhando vou caminhando e vejo a minha escola de madeira e já velhinha com as tábuas remendadas devido à sua idade, foi ali que eu andei, estudei da primeira à quarta classe. Todos éramos amigos, todos nos dávamos bem e os nossos professores ensinavam olhando por nós também, não havendo distinção na côr da pele ou da raça.

Sonhado lá vou andando e começo a ver o luar, o barquinhos baloiçando e as gaivotas voando, parecendo convidar a um banho precioso nas águas daquele luar.

O meu sonho continua e eu sempre a caminhar, para em frente ao palácio, que tem vista para o luar. Eu sempre o admirava quando por ali passava e quando à noite por vezes havia festa, jantares e convidados, o palácio era lindo, todos ele iluminado, dando vida, dando luz, dando beleza à nossa pequena cidade.

O meu sonho continua e um pouco mais abaixo lá está o tribunal, é um prédio mais moderno, é ali que os juízes trabalham, interrogam criminosos – quem comete grandes erros, lendo as suas sentenças por se portarem tão mal.

Sonhado e caminhando vou descendo a ladeira e já vejo a fortaleza que é grande e bonita, construída ao pé do mar para defesa da cidade.

Por de trás da fortaleza há enormes pedras negras meio enterradas na areia, umas por cima das outras, parecendo uma barreira para a água não entrar. Ali vão batendo as ondas e ali vão rebentar e sua espuma branquinha se desfazendo no ar, e quando o mar está bravo o barulho é enorme, por vezes de assustar.

Vou andando mais um pouco, continuando a sonhar, pisando aquela areia da praia onde sempre se faziam as lindas festas do luar. Continuando sonhando, volto atrás e vou subindo a ladeira, chegando em frente à igreja que tem vista para o luar, ali foi o meu batismo e foi ali que casei.

No meu sonho vejo um casamento – eu estava tão bonita no meu vestido de noiva que era lindo e me ficava tão bem. Quando cheguei à igreja o meu noivo já lá estava me esperando no altar. Meu irmão deu-me o braço, acompanhou-me ao altar, ali estava o meu noivo tão bonito e bem vestido, com o seu lindo sorriso e um brilho no olhar.

Depois da cerimónia e os papéis assinados, caminhamos para a saída para tirar fotografias, para sempre recordar.

Ao caminharmos para o carro, eu senti-me uma rainha com o meu rei ao meu lado.

I
Quando acordei do meu sonho
Meus olhos estavam molhados
Porque eu estava chorando
De emoção e saudades

II
Os lugares que descrevi
Para mim eles são sagrados
São parte da minha infância
E também da mocidade

III
Agora com mais idade
Sempre estou a recordar
A minha vida passada
Nas terras de além mar

Maria do Céu Simão, 20 Fevereiro 2015

Um Segredo de Natal

Uma história verdadeira – um segredo de Natal – desilusão, esperança – há ou não há Pai Natal?

Era uma vez uma menina já com sete aninhos feitos, que andava na escola e com as suas companheiras, brincavam, cantavam e também muito falavam sobre o misterioso e desejado Pai Natal.

Tinha chegado o dia de tirar as suas dúvidas, era véspera de Natal. Quando já todos dormiam, levantou-se, caminhou para a cozinha e a sua sandalinha foi posta na chaminé. Agora era só esperar o dia de amanhã para tirar suas dúvidas, para saber a verdade.

Foi para o quarto, deitou-se e esperou acordada. Amanheceu e enquanto todos dormiam foi a correr à cozinha ver o que se passava. Foi uma desilusão, uma dor no coração pois a sua sandalinha estava ali, mas vazia, sem sombras do Pai Natal.

A menina com vergonha nunca contou a ninguém como soube realmente que o nosso Pai Natal, são os nossos próprios pais.

Esta menina guardou este segredo durante 70 anos e em todos os natais que vão passando por nós, ela se lembra como tirou suas dúvidas e como se desvaneceram as suas ilusões que nos fazem tão felizes quando nós somos meninos, quando nós somos crianças.

A menina desta história
Que a verdade doeu
Por estranho que pareça
Essa menina sou eu.

Maria do Céu Simão, 4 Setembro 2014

As Três Classes

Véspera e dia de Natal
Já se estão aproximando
Muita gente está pensando
Já estão planeado
Como irão comemorar
Outras gentes estão pensado
Por vezes até chorando
Como será para elas
Véspera e dia de Natal.
São os ricos
São os pobres
E são os remediados
A que chamo três classes.
A vida, para uns é muito bela
Muito simples de viver
Para outros muito dura de vencer
Para outros nua e crua
Sem vontade de viver.

Maria do Céu2 Outubro 2014

Juventude

Simples bonita
Lá vai muito catita
Com olhar puro
Peito maduro
Seu corpo grita
É juventude
É mocidade
É da idade
É lei da vida.
Sempre tristonho
Como um sonho
Ando depressa
Perco a cabeça
Mas não apanho
E ela foge, já não a vejo
Como eu anseio pra dar-lhe um beijo.
É só um sonho, desilusão
E como sofre um coração
Mas de repente
Meu corpo sente tanta doçura
Tanta emoção
Calor ameno daquela mão
E ao meu lado, com olhar puro
Peito maduro, ela ali estava
Irradiando a juventude
A mocidade que me ofertava
E eu feliz a abraçava
Meu coração também gritava
Felicidade, felicidade
Tanto tardavas.

Maria do Céu

As Quatro Maravilhas

Saúde, Paz, Amor e Alegria
Todos nós o desejamos
Ao longo da nossa vida
E no nosso dia a dia.
São bençãos celestiais
São difíceis de alcançar
Mas vale a pena tentar
Todas são a maravilha
Que devemos abraçar.
Elas nos fazem felizes
Ajudam-nos a trabalhar
Ajudam-nos a ser justos e correctos
Aprendemos a amar
E também a ajudar.
Quem precisa encontrar
As tão belas maravilhas
As bençãos celestiais
Sintam bem a esperança
Guardem bem no coração
Alcancem as maravilhas
Que nos fazem tão felizes
Vivendo em amor e união.

Maria do Céu

Eu Sou Assim

Quando escrevo poesia
Sinto imensa alegria e boa disposição
Escrevo aquilo que vejo
Escrevo palavras lindas
Que me estão no pensamento
São palavras que me saem
Lá do fundo do meu peito
E também do coração
Gosto de ser sonhadora
Ter alma para poeta
Ter minha janela aberta
E poder apreciar pra depois avaliar
A beleza, a grandeza
Da tão bela natureza
E de todo o universo.

Maria do Céu